quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

As Águas de Pasárgada

Em reunião ampliada da diretoria da ASPAS no último dia 14 de dezembro, esteve em pauta a extensa e complexa discussão sobre o sistema de abastecimento de água em Pasárgada, mas com ênfase especial na questão do tratamento da mesma, uma vez que há um iminente processo de cloração, em vias de ocorrer a qualquer momento, sendo urgentes as iniciativas buscando alternativas de tratamento que possam preservar a integridade química da água que consumimos. Uma comissão para tratar do assunto foi criada e está em trabalho após parecer do advogado da ASPAS, Dr. Rodrigo, confirmando a possibilidade de tratamentos alternativos da água previstos na legislação pertinente.

sábado, 14 de novembro de 2009

Convocação de Assembleia em Pasárgada

Nova Lima, 09 de novembro de 2009,

Ilma Presidente da Associação dos Proprietários de Pasárgada – ASPAS,
Sra Rita de Cássia N. Mundim,

Assunto: Requerimento de convocação de Assembleia Geral Extraordinária


Comunicamos a esta diretoria, como recomenda o artigo “3°” de nosso Estatuto Social em vigor: “São direitos dos associados”, em seu item “D” que reza: “Convocar Assembleia Geral Extraordinária dos associados, desde que requeira ao Diretor Presidente por escrito, através de exposição de motivos assinada por no mínimo 10% (dez por cento) dos sócios em dia com suas obrigações;”, que estamos, no exercício deste direito garantido neste estatuto, convocando Assembleia Geral Extraordinária para o dia 05 (cinco) de dezembro de 2009, às 9:30 em primeira chamada, e às 10:00 hs em segunda chamada com qualquer quórum, com as seguintes motivações:
1- Na assembleia geral do dia 27 de junho de 2009 houveram reiteradas manifestações da necessidade de se continuar os trabalhos da assembleia o mais breve possível, e de preferência em intervalo próximo de trinta dias.
2- Acatando a vontade da assembleia, a diretoria convocou logo em seguida uma nova assembleia para 01 de agosto de 2009, em intervalo pouco superior aos trinta dias.
3- No entanto, no decorrer do período, esta mesma diretoria suspendeu por tempo indeterminado a realização desta assembleia, por motivos pouco claros, uma vez que, em justificativa, limitou-se a informar que pessoas, não se sabe quem, participantes do processo, não poderiam participar da assembleia, não esclarecendo nem quem seriam as pessoas nem porque não poderiam participar nem tampouco porque seriam indispensáveis e insubstituíveis para a realização da tão necessária assembleia.
4- Passaram-se desde então mais de 90 (noventa) dias sem a retomada da urgente assembleia, em uma desconsideração pelo expresso na assembleia de 27 de junho.
5- Acumulam-se pautas de premente debate e posicionamento desta comunidade, além da já fundamental continuidade da reelaboração do Estatuto e Regimento Interno.
Sendo assim, os associados abaixo relacionados convocam Assembleia Geral Extraordinária com a seguinte pauta, solicitando ainda as providências necessárias para a realização da mesma:
1-Esclarecimento da suspensão desta assembleia marcada para 01 de agosto.
2-Estabelecimento de regras para suspensão e/ou adiamento de assembleias.
3-Fortalecimento da democracia participativa em Pasárgada.
4-Posicionamento quanto à adulteração química da água com adição de cloro ou outros químicos e alternativas para tratamentos físicos da mesma.
5-Posicionamento da comunidade quanto à situação do “Café Pasárgada”
6-Revisão do reajuste automático da taxa da associação sem negociação com a comunidade.
7- Retomada das discussões do Estatuto Social e Regimento Interno.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Economia Solidária janeiro de 2010 em Santa Maria/RS

Fórum Social Mundial fará balanço da última década
Fonte: Carta Maior

A capital gaúcha e sete cidades da Região Metropolitana receberão, entre 25 e 29 de janeiro de 2010, o Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre. Além de celebrar os 10 anos de atividades do FSM, o encontro fará um balanço deste período de lutas em defesa de um modelo de globalização alternativo ao construído nas últimas décadas.

O Fórum Grande Porto Alegre será o primeiro de vários eventos programados em diversos países ao longo de 2010, quando o FSM terá, mais uma vez um formato descentralizado. Entre as atividades já definidas para o encontro no Rio Grande do Sul, está o Seminário FSM 10 Anos, promovido pelo Grupo de Apoio ao Fórum Social Mundial. A idéia é debater não só a experiência passada do Fórum, mas principalmente seu futuro.

O evento está sendo organizado por entidades gaúchas com o apoio dos governos dos sete municípios onde ocorrerão as atividades (Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga).

Além do seminário de avaliação do FSM, que ocorrerá em Porto Alegre, também estão confirmados o Acampamento Intercontinental da Juventude, entre 18 e 28 de janeiro, em Novo Hamburgo, o I Fórum Mundial de Economia Solidária e a I Feira Mundial de Economia Solidária, de 22 a 24 de janeiro, em Santa Maria. Ainda em Porto Alegre, de 25 a 29 de janeiro de 2010, será realizada uma grande oficina sobre o mundo do trabalho. Esse encontro debaterá o impacto da crise econômica internacional sobre o trabalho e a qualidade dos empregos e dos ambientes de trabalho hoje em dia.

sábado, 24 de outubro de 2009

Consumo Solidário em Pasárgada

Iniciamos esta semana nossa experiência de consumo solidário em Pasárgada, a idéia é formar um grupo cada vez maior de moradores interessados em certos produtos alimentícios de uso regular, para que possamos fazer conexão direta com os produtores, eliminando os intermediários, estreitando o vínculo e aumentando a responsabilidade entre quem produz e quem consome.
Começamos com os cogumelos orgânicos "Do Caminhante", produzidos aqui perto no Jardins de Petrópolis, por Roney, que entregará as bandeijinhas todas as sextas feiras. Serão entregues no escritório de Luiz Felipe/Carol no Vale do Sol, e nós pegaremos com eles na sexta ou logo no sábado. O valor da bandeijinha de Shimeji orgânico direto do produtor é R$5,00, enquanto seu valor no comércio é acima de R$7,00.
Interessados podem ligar para o Ricardo: 35477055/99496571
E Vamos em frente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Uma Rica Flora Medicinal em Pasárgada

O corre-corre do dia-a-dia, a pressa em desmatar um lote, muitas vezes, impedem a nossa vista de passear no entorno de nosso Condomínio. Não nos damos conta de que estamos cercados e permeados por seres que podem ter uma estreita relação conosco. Podem, inclusive, nos ajudar na cura de nossas mazelas... É a beleza da vida!

Alecrim (Rosmarinus officinalis)
Tira-se muda dos galhos pequeninos quando a planta estiver adulta. Parte-se com a unha um pedaço do ramo de 6cm a 15cm. Deve-se colocar cinza e casca de ovo em volta da raiz.
Uso do alecrim
O alecrim colocado sobre brasas desinfeta o ambiente dos maus cheiros e dos maus fluidos.
A infusão é usada para digestão difícil, debilidade cardíaca, exaustão física e intelectual, depressão, retenção urinária e nos casos de coqueluche. É sudorífera.
No banho, reanima as pessoas cansadas. Por exemplo: Se alguém trabalhou o dia inteiro e deve comparecer à noite a uma solenidade, mas se sente esgotada, um banho de imersão com o chá de alecrim ou óleo essencial do mesmo recompõe as energias imediatamente.
Compressas: Ferver um raminho de alecrim em meio litro de água. Quando o líquido estiver reduzido ao meio, retire do fogo. Fazer compressas frias para curar abscessos e bolsas sobre os olhos.
Cabelos: Fazer maceração de folhas de alecrim com raiz de urtiga e de bardana por 15 dias. Friccionar no couro cabeludo para escurecer e fazer crescer os cabelos.
Tintura: 50g de folhas de alecrim, 1 garrafa de boa pinga. Maceração durante 10 dias em local escuro. Filtrar e guardar em garrafa escura. É útil para esquentar os pés, para atenuar as dores de reumatismo e contusões.

Cavalinha (Equisetum arvensis)
Planta também conhecida como rabo de cavalo. Seu nome latino deriva de equi (cavalo) e setum (rabo) e seu nome vulgar descreve sua forma. É encontrada em quase todos os países do mundo. Nasce à beira de córregos, rios e dunas. Existem mais de 20 espécies distintas e já foram encontrados fósseis de espécies gigantes que indicam que as espécies atuais derivam da pré-história.

Uso da cavalinha
Decocção: Deixar em descanso durante 2 horas. Usar uma colher de cavalinha para cada xícara de água. Depois, ferver em fogo brando por 10 minutos. Tomar ligeiramente quente. Além de ser herbicida, pode deter hemorragias internas e externas e curar feridas. Em forma homeopática, cura a cistite, a urgência urinária e até quadros de incontinência urinária de origem neurogênica.

Artemísia (Artemisia vulgaris)
A origem do nome é grega e vem da deusa Artemis, protetora dos partos. Propaga-se por divisão de touceira. Gosta de lugar arejado e ensolarado.

Uso da artemísia
O chá é usado para combater as enfermidades do útero. Essa planta é indicada para combater também a icterícia, as lombrigas e parasitas, anemias e cólicas menstruais. Tomar 3 xícaras ao dia.
Para combater inchaço e dores no útero, pode-se fazer lavagem com caldo de artemísia crua.
(Texto selecionado e revisado pela moradora de Pasárgada Dra. Tarina Rubinger)

Entrevista com Dr Mário Werneck

O Condomínio Pasárgada possui três importantes biomas – Mata Atlântica, Cerrado e Campo Rupestre ou de Altitude. Possui também uma importante microbacia que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, várias comunidades rurais e vários bairros de Nova Lima, inclusive o Pasárgada, que é abastecido pelo Córrego Tamanduá. A área de recarga do Córrego Tamanduá faz parte da zona de amortecimento da Estação Ecológica dos Fechos.
A ASPAS encaminhou aos moradores do Condomínio Pasárgada um abaixo-assinado cuja proposição é integrar a área de amortecimento da Estação Ecológica dos Fechos a esta Unidade de Preservação.
O Dr. Mário Werneck, conhecido advogado ambientalista, cujos trabalhos tanto têm esclarecido a nossa sociedade, é o entrevistado deste número do nosso jornal. Sentimo-nos honrados com a sua participação e mais ricos de conhecimentos sobre o lugar onde moramos.



1. O que é uma área de amortecimento? Qual a sua importância para uma área preservada? A área de amortecimento tem um papel fundamental para a área de preservação. Por exemplo, o Parque Serra do Rola Moça é uma unidade de conservação que sofre muito com a falta de normas para a sua área de amortecimento, pois, ainda, nem toda a regularização fundiária foi feita, ou seja, existem áreas que, embora façam parte do perímetro do parque, não estão regularizadas. A área de amortecimento é aquela extensão do invólucro, definida por lei e que tem uma capacidade de proteção muito grande. Geralmente, elas são a continuidade dos mananciais e são espaços onde não devem ser feitas intervenções, pois, se houver determinados empreendimentos no invólucro dessas áreas de proteção, efetivamente, muda-se todo o ecossistema. É como se fosse um coração e, ao lado dele, existissem alguns órgãos para protegê-lo e para garantir que ele continue a funcionar. A área de amortecimento funciona dessa forma, ela é um amparo para a unidade de conservação. A sua função é de absorver os impactos, ou seja, não deixar que aconteçam naquele perímetro da unidade de conservação.
2. No caso da Estação Ecológica de Fechos, qual a importância da ampliação dessa área de amortecimento? A região de Fechos é especialíssima. Tanto é verdade que, dessa Região Sul de Belo Horizonte, que congrega Brumadinho e Nova Lima, especialmente, temos regiões que captam água para dois milhões e meio de habitantes da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A água ali existente é mineral, classe 1, aquela que nem precisa de tratamento, pode-se beber em natura. O que é importante: quanto maior proteção houver nessa área, maior será a possibilidade de que as gerações futuras continuem a receber essa água de Fechos. Porque as intervenções, quer sejam da ordem da construção civil, ou mesmo a mineração sustentável, tenderão a extinguir essa área, num futuro muito próximo. Há mananciais riquíssimos na região dos Fechos, o lençol freático é fantástico. Então, a importância de estender essa área significa um bem para toda a RMBH, não só para as pessoas que ali vivem.
3. A ampliação dessa área evitará qualquer impacto negativo e promoverá a proteção efetiva desses mananciais? Quanto mais se prolongar uma área de amortecimento, não apenas dessa de que estamos falando, maior é a possibilidade de que, no futuro, suas águas subterrâneas e as superficiais, como as do Ribeirão Catarina e as dos outros ribeirões que estão ali, continuem a servir como produtores de um bem, que é hoje, praticamente, alvo de guerra, que é a água. Então, acredito que essa ação é muito importante, inclusive para as reservas de espécies da flora e da fauna. O Promata, que é o projeto de proteção da Mata Atlântica, pode investir ali, pois é um local onde há resquícios de Mata Atlântica com Cerrado. É muito importante que esse tipo de procedimento seja adotado.
4. Então é uma área rica em espécies da flora e fauna? É muito rica.
5. Por ser também uma região típica de Cerrado, muitas vezes, as pessoas não dão importância à preservação desse bioma, ao projetarem suas construções. Qual a importância da preservação desse tipo de vegetação e o que se deve evitar? Para se ter uma idéia: em 1968, isto é, há 40 anos, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) catalogou 13 espécies da flora brasileira em extinção. No mês de setembro de 2008, o IBAMA, por meio de um trabalho realizado pela Biodiversitas, levantou um dado alarmante: as 13 espécies catalogadas, inicialmente, já se transformaram em 472 espécies em processo de extinção, ou seja, houve um aumento próximo a quatro mil por cento, sendo que, só do cerrado, são quase 200 espécies. O que prova que a máfia do carvão tem feito um trabalho extensivo de dizimar esse bioma que é um dos mais importantes do mundo. A região de Pasárgada tem grande parte do cerrado, onde existe inclusive a canela de ema, uma espécie que cresce um centímetro por ano, uma árvore de três metros que demora três séculos para crescer, que é resistente até ao fogo e que está sendo estudada para sua utilização no tratamento de doenças como a Aids e o câncer. Então, é muito importante que essas espécies sejam mantidas, mesmo porque o Cerrado é o pai das águas, e a vegetação é o suporte dessas águas.
6. Como conseguir o equilíbrio entre a construção civil e a preservação do cerrado? Desde 1972, a partir da Conferência de Estocolmo, fala-se que o mundo precisa passar por uma nova postura, por uma limpeza ambiental e, em 92, no Rio de Janeiro, pela primeira vez, o mundo abriu o leque para discutir o desenvolvimento sustentável. Um importante acontecimento na Eco 92 foi a criação da Agenda 21, que é uma política de sustentabilidade para vigorar no novo Século. Então, acredito que é fundamental trabalhar a idéia de sustentabilidade com as crianças. E nós, como cidadãos, devemos ter um comprometimento mínimo com a seguridade florestal e hídrica. Precisamos passar a tratar as questões hídrica e florestal como tratamos os nossos filhos. Se nossos filhos são a base da família, a água e as florestas são a base da terra.
7. Qual a importância da mobilização de uma Comunidade, como a de Pasárgada, para a ampliação de uma área de amortecimento como essa dos Fechos? E o que se pode fazer? Que tipo de ação? O terceiro setor, as chamadas ONGs, têm um poder extraordinário, porque exercem o mesmo papel do Ministério Público (MP), ou seja, podem propor uma ação civil pública, que é um mecanismo fantástico. Este instituto dá a uma instituição, a uma ONG, o poder de buscar a prestação jurisdicional, de buscar a tutela ambiental, por meio de suas próprias ações. A ação civil pública é um dos maiores instrumentos jurídicos que temos, porque tem a capacidade de vedar e de estipular o que um determinado empreendimento pode ou não fazer. A Ação Civil Pública é um trabalho que o Ministério Público tem feito com muita sabedoria, mas que a sociedade civil deve participar dele. A partir do momento em que a mobilização social acontece, o próprio magistrado sente-se com maior tranqüilidade para conceder uma tutela antecipada ou uma liminar, porque passa a conhecer o interesse de uma coletividade. Mesmo porque a questão ambiental é responsabilidade objetiva. Então a mobilização social é importantíssima nesses casos.
8. Que outras áreas de preservação já foram criadas na região metropolitana de Belo Horizonte, ou em outras regiões de Minas Gerais? Temos mais de 30 parques estaduais, inúmeras RPPNs. Temos aqui, próximo de Belo Horizonte, um parque fantástico, que é o Parque Nacional da Serra do Cipó. Temos o Parque da Serra do Rola Moça, o Parque do Brigadeiro, Parque do Peruaçu, onde, recentemente, foi redescoberto o cachorro vinagre que estava sumido há 150 anos. Temos o Parque Estadual do Ibitipoca, Parque do Rio Doce; enfim, várias regiões e áreas especiais que foram criadas de forma institucional. Hoje, há 32 reservas em Minas Gerais.
9. Na sua visão, qual a posição dos órgãos públicos relativa à área de amortecimento da Estação Ecológica dos Fechos? O grande problema que vejo é a especulação imobiliária. Por exemplo, estão pensando em construir 12 torres ali, no Rancho do Boi, que é área de amortecimento do Parque Serra do Rola Moça, ou seja, nada pode ser construído, porque a lei protege essa área. Então, o aumento da Estação de Fechos é uma possibilidade única que temos para garantir que o empreendimento imobiliário não destrua essa área. Uma coisa é você ter um condomínio de casas, e outra coisa é ter o que estão fazendo lá: “vende-se vista eterna”, o que é um absurdo. Nós não podemos deixar a especulação imobiliária tomar conta da Região Sul de Belo Horizonte, sob pena de não termos água no futuro.
10. Qual a diferença entre uma Área de Proteção Especial e uma Estação Ecológica? Não há muita diferença, todas duas são legalmente protegidas. Pode haver diferença em termos de biodiversidade. Em todas as áreas especiais, ao contrário do que muitos defendem com uma série de argumentos que a lei traz hoje, somente há uma possibilidade de inserção, se for ecologicamente correta. As unidades de conservação, cada uma tem a sua especificidade, por exemplo, no Parque da Serra do Rola Moça, há áreas intocáveis, mas intocável até que ponto? Não se pode dizer que uma área dessas não pode ser tocada; pode sim, desde que seja de forma sustentável, sem contrariar o que está previsto na Lei 9985/2000, que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que dita todas as normas para essas áreas.
11. Os mananciais que existem na APE dos Fechos são considerados de Classe Especial? É o que sempre dizem e é também aquilo em que eu acredito. Há uma guerra da sociedade civil contra qualquer inserção nos Fechos. É, sem dúvida, classe um. É água mineral.
12. Quais são as qualidades desses mananciais? É uma água puríssima para beber, é como se fosse uma “bica de Deus”. É uma água que, até hoje, não foi tocada, não tem coliformes fecais, é uma água pura.
13. É admissível a ocorrência de impacto sobre um manancial classificado como Classe Especial? Não. Promover empreendimentos que impactem um manancial especial seria burlar a própria vida. É uma questão até de cidadania, isso não se faz.
14. É aceitável o lançamento de efluentes líquidos ou sólidos, mesmo tratados, numa APE? É crime. A lei 9605 e a 9433 que instituiu a política nacional de recursos hídricos proíbe este tipo de procedimento. Não pode haver inserção onde tem água.
15. O que significa a conceituação: águas de domínio estadual? Eu não gostaria nem de responder a essa pergunta, porque áreas de domínio estadual são os rios que nascem e “morrem” dentro do Estado. Mas eu acho que ninguém é dono da água, nem o Município, nem o Estado, nem a União. A água é um bem difuso. Por exemplo, o rio São Francisco, dizem que é federal, mas não é, pois ele é todo feito em Minas Gerais, 75% de suas águas são produzidos dentro do Estado. Se tirarmos as águas estaduais, quero ver se ele continuará federal. Ele não chega nem até a Bahia.
16. O que são Áreas de Proteção Permanente? São locais onde devem ser mantidas todas as florestas e demais formas de vegetação natural. Esses locais foram definidos como de proteção especial, pois representam áreas frágeis ou estratégicas em termos de conservação ambiental, não devendo ser modificadas para outros tipos de ocupação. A manutenção da vegetação natural nesses locais contribui para o controle de processos erosivos e de assoreamento dos rios, para garantir qualidade dos recursos d'água e mananciais e para a proteção da fauna local.
17. O que é uma Estação Ecológica? É uma unidade de conservação e tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. É proibida a visitação pública, exceto com objetivo educacional e a pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável. A área de uma Estação Ecológica é representativa de ecossistemas brasileiros, apresenta, no mínimo, 90% da área destinada à preservação integral da biota. É de posse e domínio públicos.De acordo com o SNUC, na estação ecológica só podem ser permitidas alterações dos ecossistemas no caso de:I - medidas que visem à restauração de ecossistemas modificados; II - manejo de espécies com o fim de preservar a diversidade biológica; III - coleta de componentes dos ecossistemas com finalidades científicas; IV - pesquisas científicas cujo impacto sobre o ambiente seja maior do que aquele causado pela simples observação ou pela coleta controlada de componentes dos ecossistemas, em uma área correspondente a, no máximo, três por cento da extensão total da unidade e até o limite de 1 501 hectares.

domingo, 4 de outubro de 2009

Conselho Estadual de Economia Popular e Solidária

O Conselho Estadual de Economia Popular e Solidária de Minas Gerais finalmente tem seu site de divulgação e orientação, os interessados podem acessar:
http://www.conselhos.mg.gov.br/ceeps

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Eu quero entrar na rede!

Essa afirmação um baiano leva a sério

Já visitaram o novo site do Gil? Entrem lá.


Gilberto Passos Gil Moreira
Nome Comum: Gilberto Gil
Nome científico: Homo sapiente erêctus
Habitat: originário do Recôncavo Baiano, hoje , "amarradão na torre", pode ir ao mundo inteiro.
Alimentação: saudável.
Característica da espécie: não evita relação com semelhantes de temperamento sórdido porque veio ao mundo para olhar na cara da pessoa comum e da pessoa rara.
Tem a plena consciência de que a raça humana é (apenas) uma semana do trabalho de Deus.
Já teve a ilusão de que ser homem bastaria.
Está acima de qualquer suspeita.
É tratado como um pachá.

Espécie em extinção.

domingo, 27 de setembro de 2009

Construindo a Democracia em Pasárgada

Finalizamos ontem o primeiro processo eleitoral em Pasárgada em que houve uma disputa entre diferentes propostas para este lugar.
E queremos agradecer a todos que contribuíram para que ele acontecesse, em particular agradecer aos membros da comissão eleitoral que trabalharam duro para construir o funcionamento deste processo que encontra apenas algumas pistas em nosso estatuto.
O saldo positivo foi a presença de 145 pessoas na assembleia de votação, a maior participação já registrada até hoje desde a criação da ASPAS, com uma votação de 78 votos para a chapa Pasárgada Para Todos, 132 votos para a chapa Bem Comum, e 37 votos em separado.
É preciso dizer que, por um lado, temos a manifestação de 78 vontades de mudar, por outro, temos certamente a vontade de continuar, mas temos aí também nestes 132 votos o receio de mudar, sobretudo diante da desinformação que foi divulgada atribuindo-nos algumas inverdades como: sermos "a chapa do Chico", sermos "a favor da inadimplência", sermos "contra a existência de uma portaria", entre outras mentiras.
Mas, satisfeitos com a mobilização alcançada, mesmo com o bloqueio de acesso à lista dos associados da ASPAS, desejamos uma boa gestão, mais democrática e participativa, para a chapa vencedora.
E esclarecemos que NÃO somos a "chapa do Chico", ainda que o Chico seja nosso chapa, já que temos o mesmo respeito por ele que temos por todos os associados, em um projeto que segue em frente para alcançarmos Pasárgada Para Todos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

Pelo avanço da democracia em Pasárgada


Contribuições da chapa
Pasárgada Para Todos para o processo eleitoral.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Carta aberta aos associados da ASPAS


Caros associados e vizinhos,

Movidos pelo desejo de construir em Pasárgada um ambiente mais harmônico e um lugar melhor para viver e conviver com vizinhos e amigos, apresentamos aqui algumas idéias que nos levaram a formar uma chapa para disputar as próximas eleições para a Diretoria da ASPAS.

São bandeiras que se organizam sob os princípios da democracia, da transparência e do respeito à vontade coletiva.

O primeiro e principal compromisso da chapa PASÁRGADA PARA TODOS é com a consolidação, aperfeiçoamento e ampliação do trabalho que vem sendo desenvolvido pelas gestões anteriores, desde a fundação da ASPAS em 1999.

Para isso propomos estabelecer uma gestão mais participativa, descentralizada e horizontalizada. Uma gestão que se dispõe a dialogar e a aglutinar, sem os desvios do personalismo e da beligerância que impedem o entendimento e a busca de soluções compartilhadas.

O segundo eixo do nosso plano de trabalho é o cuidado com as pessoas e com todas as áreas de uso comum em Pasárgada. Isto significa, entre outras ações:

- preservação da micro-bacia do córrego Tamanduá, do lençol freático, da fauna e da flora que compõem a rica biodiversidade do nosso meio ambiente;

- manutenção permanente das vias públicas, não somente em período pré-eleitoral;

- manejo adequado do lixo, para evitar sua exposição por tempo prolongado nas vias internas;

- cautela com a poluição visual por uso excessivo de faixas ou outros recursos de propaganda.

O terceiro eixo em que se desdobrará nossa atuação diz respeito às relações institucionais entre a ASPAS e os agentes externos, tais como Pasárgada FFR Lançamentos, Prefeitura de Nova Lima, Vale do Rio Doce, Copasa, Policia Militar, condomínios e vizinhos.

Em todas essas frentes, estaremos sempre buscando soluções negociadas e responsáveis, mesmo quando for necessário o enfrentamento jurídico ou o recurso a denúncias públicas.

Participe desde já na construção de um novo Pasárgada, contribuindo com sua opinião no espaço de diálogo permanente do blog: pasargadaparatodos.blogspot.com

Contamos com seu apoio e confiança para fazer de Pasárgada um lugar melhor para todos que aqui vivem.

Atenciosamente,

_______________________

Rodrigo Quintela

Presidente Chapa 01 – Pasárgada Para Todos

Presidente Rodrigo Quintela – Médico / cirurgião urologista.

Vice-Presidente Galdino Santiago – Engenheiro de minas / mineração e meio ambiente.

Diretora Administrativa Rita Elian – Psicóloga e bacharel em direito / servidora pública TJMG.

Diretor Financeiro Luis Felipe Ribeiro Salgado – Arquiteto / Construtora Verde Rosa.

Diretor de Relações Institucionais Flávia Stortini – Advogada / LRGAranha Advogados Associados.

Suplente de Relações Institucionais Maria Eugênia Haddad (Maninha) – Jornalista / IDECO.

Diretora de Infra-estrutura Ana Carolina Pereira – Arquiteta / Construtora Verde Rosa.

Suplente de Infra-estrutura Fernanda Ferron – Psicóloga / RH Tostes & Coimbra Advogados.

Diretor de Comunicação Rodrigo Quick – Bailarino / Quick Companhia de Dança.

Suplente de Comunicação Letícia Carneiro – Bailarina / Quick Companhia de Dança.

Diretor de Meio Ambiente Leonardo Viana – Biólogo / SERE Meio Ambiente.

Diretor Adjunto de Meio Ambiente João Henrique Penna – Médico / ginecologista.

Diretor Adjunto de Meio Ambiente Débora Mirtha – Designer de jóias.



Suplente de Meio Ambiente Celeste Semeão – Professora aposentada.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Conferência Nacional de Saúde Ambiental



CNSA – A Conferência, constituída por decreto presidencial, será dividida em três eixos temáticos: Desenvolvimento e sustentabilidade sócio-ambiental no campo, na cidade e na floresta; Trabalho, ambiente e saúde: desafios dos processos de produção e consumo nos territórios e Democracia, educação, saúde e ambiente: políticas para a construção de territórios sustentáveis.
A jornada, que já começou e exige a identificação de políticas e ações integradas entre órgãos do governo e a sociedade civil organizada, terá como ponto alto a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA). As etapas municipais prosseguem até o fim deste mês (30) e as estaduais e do Distrito Federal serão realizadas até 30 de outubro. A etapa nacional ocorrerá entre os dias 15 e 18 de dezembro, em Brasília. A conferência é fruto da união de três Ministérios (Cidades, Meio Ambiente e Saúde).

A Construção da democracia

Felicitações a todos os integrantes das duas chapas que se inscreveram hoje 28/08/2009 para concorrerem na próxima eleição à diretoria da ASPAS - Associação dos Proprietários de Pasárgada. Ao Todo somam 28 pessoas que se dispuseram ao trabalho voluntário na condução desta associação, e mais os inscritos para o conselho fiscal.
Queremos crer que o fato de existirem duas alternativas para o voto dos associados, e não uma única como da última eleição, possa estimular o debate acerca dos projetos de construção de futuro para Pasárgada, de uma forma franca e cordial, enriquecendo a experiência democrática e valorizando o pleito e a disposição de cada um em contribuir neste processo.

sábado, 22 de agosto de 2009

Proposta diretrizes em discussão eleições ASPAS

Proposta Simplificada da Chapa Pasárgada Para Todos

Considerando que apesar das inegáveis e louváveis benfeitorias e avanços alcançados e realizados pelas últimas diretorias da ASPAS, alguns pontos cruciais restam relegados ao segundo plano, é que o grupo de moradores de Pasárgada abaixo relacionado vem tornar público suas principais diretrizes de atuação, segundo
às quais pretende concorrer às próxima eleições para diretoria da ASPAS:
1- Investir maciçamente na melhoria e aprofundamento da experiência democrática em Pasárgada. Isto considerando que, em primeiro lugar, a democracia é uma experiência de gestão e convívio em contínua construção, necessitando ser cultivada e estimulada através de colegiado gestor, gestão horizontalizada e compartilhada, orçamento participativo, incentivo à participação ampla e irrestrita da comunidade e do seu entorno, ampliação das formas de consulta e contribuição da comunidade. Considerando, em segundo lugar, que a experiência democrática que conhecemos de outras instâncias é, muitas vezes, pobre, deficitária ou até degradada.
2- Investir intensamente na elaboração e condução de um desenvolvimento cuidadoso e sustentável da ocupação do espaço pela nossa comunidade. Isto considerando que, em nossa pequena escala, enfrentamos aqui todos os grandes desafios e dilemas hoje colocados para a humanidade, como o manejo responsável da produção e destinação do lixo orgânico, do lixo reciclável e reutilizável, dos resíduos sólidos em geral, e também, o uso consciente e prudente do solo e da água, o manejo com preservação do bioma cerrado, a savana de maior biodiversidade do planeta, e do bioma mata atlântica, com o dilema do aumento progressivo da presença humana sem a fatalidade da extinção da biodiversidade antes presente em fauna e flora, o tratamento adequado do esgoto residencial sem contaminação do solo e lençol freático, a utilização previdente de energias limpas, como a solar, e de tecnologias construtivas de baixo impacto, como a bioarquitetura, o convívio possível com a maior variedade de espécies animais e vegetais, com manejo agro-florestal que evite uso de pesticidas e formicidas que envenenem o ambiente em que vivemos, o transporte solidário em substituição do solitário, o cultivo inclusive das paisagens, enfim, um compromisso integral com a vida presente e futura.
3- Investir amplamente na construção de relações interinstitucionais que possam proteger a micro-bacia do Tamanduá e sobretudo suas cabeceiras que alimentam e sustentam a vida em todo seu vale, com o necessário enfrentamento das ameaças do extrativismo mineral abusivo ou da exploração imobiliária desenfreada, eco-socialmente irresponsáveis.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Xangai já dizia.

Vizinhança.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Vamos construir um programa de manejo do lixo em Pasárgada?

Em 2008, Brasil importou 175,5 mil toneladas de lixo
Dom, 26 Jul, 07h37
O Brasil importou, oficialmente, mais de 223 mil toneladas de lixo desde janeiro de 2008, a um custo de US$ 257,9 milhões. No mesmo período, deixou de ganhar cerca de US$ 12 bilhões por não reciclar 78% dos resíduos sólidos gerados em solo nacional e desperdiçados no lixo comum por falta de coleta seletiva - o País recicla apenas 22% do seu lixo. A indústria nacional, que reutiliza os reciclados como matéria-prima na fabricação de roupas, carros, embalagens e outros, absorve mais do que o País consegue coletar e reciclar. Daí a necessidade de importação.
A destinação do lixo urbano é uma atribuição constitucional das prefeituras, mas apenas 7% dos 5.564 municípios brasileiros têm coleta seletiva. Com isso, no ano passado, pelo menos 175,5 mil toneladas de resíduos de plástico, papel, madeira, vidro, alumínio, cobre, pilhas, baterias e outros componentes elétricos - e até as cinzas provenientes da incineração de lixos municipais - tiveram de ser importadas. Entre janeiro e junho deste ano, foram importadas outras 47,7 mil toneladas.
Mesmo importando, as 780 empresas de reciclagem brasileiras, hoje, atuam com 30% da capacidade ociosa por falta de matéria-prima, segundo a Plastivida Instituto Socioambiental dos Plásticos. Um exemplo: mais de 40% do PET reciclado é absorvido pela indústria têxtil na fabricação de fios e fibras de poliéster - duas garrafas se transformam em uma blusa. O Brasil teria condições de abastecer essa indústria, não desperdiçasse 50% do PET no lixo comum. A falta do material fez disparar o preço da tonelada no mercado interno, equiparando-se ao valor do importado, entre R$ 700 e R$ 900. Resultado: enquanto sobravam garrafas boiando no poluído Rio Tietê, as recicladoras tiveram de importar 14 mil toneladas de plástico para reciclagem no ano passado, 75% mais do que em 2007.
O mesmo ocorre com resíduos de alumínio, que lideram a importação, usados na indústria automobilística - só no ano passado, o Brasil importou 92,7 mil toneladas do material retirado do lixo de outros países. "Se existisse uma política nacional de reciclagem não seria preciso Bolsa-Família. O dinheiro do lixo renderia aos brasileiros o mesmo benefício, além de emprego", ironiza o presidente do Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni, autor do livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo" e consultor da Organização das Nações Unidas e do Banco Mundial para a área ambiental. "Só faz sentido o Brasil importar esse material porque as redes de captação e separação não funcionam. Faltam PET e outros resíduos no mercado nacional." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Declaração Universal dos Direitos Da Água

Abaixo segue vídeo com os dez mandamentos em defesa da água como direito humano e dos seres vivos, inerente ao direito à vida, estabelecidos pela ONU no iníco dos anos 90:

terça-feira, 14 de julho de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Estatuto e código de obras Pasárgada

É preciso sempre relembrar que vivemos em Pasárgada neste ambiente especialmente dotado pelo CERRADO, que é considerado a savana de maior biodiversidade do planeta, por zonas de transição com a mata atlântica e por áreas de MATA ATLÂNTICA, considerada a floresta tropical de maior biodiversidade do planeta.

Sendo assim, uma proposta de “limpar os lotes”, ou de gramar as áreas externas, representa uma declaração de profunda insensibilidade ecossistêmica, calcada em um obtuso olhar urbanóide, capaz de considerar os seres vivos vegetais que não foram eleitos pelas atuais revistas de paisagismo como “sujeira” que precisa ser varrida de sua miserável existência.

Ora é preciso perguntar: qual a origem do privilégio do direito à vida concedido às gramíneas e negado a tantas outras espécies que garantem com sua variedade o conceito mesmo de bioDIVERSIDADE? Que estética da devastação é esta que se impõe em toda parte de forma repetitiva e monótona? Que ética de restrição das espécies e redução das multiplicidades da vida é esta que vai se insinuando como um hábito irresistível ao qual todos devem se submeter espontaneamente?

Perguntas que ficarão sem respostas, mas que clamam pela liberdade para os vegetais fora da moda e da lei, clemência para os seres vivos condenados por mero capricho, habeas corpus para os vegetais a caminho do cadafalso pela prepotência humana.

Infelizmente estamos quase sempre surdos para escutar a sabedoria que nossos melhores vizinhos tem para nos dar, e estão sempre a nos oferecer, mas não temos ouvidos suficientemente limpos para ouvirmos os bandos de macacos sauás, de mico-estrelas, de saruês, de caxinquilês, de teiús e jacus. Estes são nossos melhores vizinhos, e principalmente as formigas cabeçudas, sempre nos avisando quando o desequilíbrio passou da medida e a fome avança sobre o mundo dos insetos.

Mas nossos mais sábios vizinhos, esses que já estavam aqui muito antes de nossos bisavós nascerem, esses, para nossa infelicidade e desgraça deles mesmos, não estarão em nossas assembléias, que decidem o destino deste lugar, que talvez seja chamado por eles de Cabeceiras do Tamanduá. Eles estão deveras compenetrados em sua divina missão de produção da vida em ato contínuo, não podem perder seu precioso e fugidio tempo debatendo a legislação da vida alheia com os primatas mais cabeçudos de todos, que somos nós.

Se nosso vizinho gavião carcará, o gavião-de-queimada, o carancho, gaviãozinho do cerrado, pudesse estar na assembléia, certamente nos ensinaria mais sobre nosso próprio lixo do que saberemos em toda nossa existência, se ele, um dos especialistas no biomanejo do lixo, nos contasse como sua aguda visão e seu olfato extraordinário tem testemunhado a ruína progressiva deste ambiente à medida que os humanos proliferam cada vez mais, aí então teríamos um debate profícuo. Mas ele não comparecerá agora, e muito menos no futuro, pois já está na lista da extinção.

E se o saruê estivesse em nossas assembléias nos contaria dos grupos dizimados pelo ataque dos cães, predadores exóticos trazidos pelos humanos, conseguindo alcançar principalmente fêmeas grávidas e filhotes, quando arriscam atravessar os territórios ocupados, em busca de alimentos ou abrigo.

Ainda mais aprenderíamos se nossas vizinhas formidáveis formigas fossem às assembléias. Elas, com sua complexa eusocialidade desenvolvida ao longo de cem milhões de anos, em uma interação exemplar com tudo que as cerca, nos ensinam que chamamos de pragas os mesmos insetos que nós mesmos é que deixamos com fome, com nossa sanha construtora.

Mas não se alarmem os que temem terem suas próprias idéias ou interesses ameaçados, porque se por acaso nossos melhores vizinhos resolverem, contra todas as expectativas, aparecer nas assembléias, já está garantido que não terão direito a voto porque não pagam a mensalidade da associação que decide seus destinos à revelia.

Todavia, na frustrante ausência deles, quero fazer algumas poucas sugestões neste momento de mudanças estatutárias:

1- no artigo 01 sugiro mudança no nome da associação para Associação por Pasárgada, ou Associação do Bairro Pasárgada, retirando a palavra proprietários. Afinal os moradores que não sejam proprietários fazem parte da vida do bairro e inclusive pagam a associação.

2- No artigo 04 encerrar com ponto final logo após obrigações sociais.

3- No artigo 06, inciso VI: A água é patrimônio natural inalienável de todos os seres vivos que aqui habitam, portanto, a associação administrará a rede de captação e distribuição da água, sem tratamentos desnecessários, sem prejuízo da flora e dos seres aquáticos, e com o monitoramento semestral da qualidade e da quantidade da água, e sobretudo sem jamais transformá-la em mercadoria sujeita à exploração comercial de terceiros.

4- No artigo 07: Os associados serão todos que requeiram sua admissão na Associação, respeitando o artigo quinto, inciso vinte, da Constituição da República Federativa do Brasil que estabelece: “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado”.

5- Supressão dos § 1° e 2°do artigo 07.

6- No artigo 30, em seu parágrafo único: Os editais de convocação deverão especificar minuciosamente os assuntos a deliberar, sendo que estes serão definidos na assembléia anterior, ou serão estabelecidos acatando as propostas de qualquer associado, não sendo privilégio da diretoria definir quais serão os assuntos a serem deliberados pela assembléia.

7- No artigo 31, inciso II: um décimo dos associados em segunda convocação.

8- No artigo 40: permitida uma reeleição para o mesmo cargo e duas reeleições para os demais cargos.